[Resenha] Perdão, Leonard Peacock - Matthew Quick
Sinopse: Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado por
filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem ao poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto.
Drama | 224 páginas | Avaliação 2/5
A maior motivação que tive ao escolher Perdão, Leonard Peacock para ler foi em função do impacto causado em mim pelo livro O Lado Bom da Vida de autoria também de Matthew Quick. Apesar deste último ter sido uma das minhas melhores leituras, o romance em questão não se aproximou ao produzir o mesmo efeito.
" - Estou ouvindo relatos de que você está agindo de forma estranha hoje. Isso é verdade?
- O quê? Eu sempre sou estranho, certo?" (p. 86).
Leonard é apenas mais um jovem infeliz com a vida que frequenta o ensino médio e possui poucas pessoas com quem conversar. As que ainda têm certa relação (seu vizinho idoso, um rapaz da escola que toca violino lindamente, uma garota cristã e seu professor de história), ele decidiu dizer "adeus" de uma maneira que faça com que elas se lembrem dele: entregando um presente especial.
“Estou tentando fazer com que ele saiba o que estou prestes a fazer. Estou torcendo para que ele possa me salvar, apesar de saber que não pode” (p. 31).
O garoto não havia contado seu plano de homicídio/suicídio para ninguém, logo, a atitude em relação aos presentes somente causou estranhamento. O plano seria homicídio/suicídio porque depois de entregar os presentes, Leonard assassinaria seu ex-melhor amigo e depois tiraria a própria vida.
"Eu meio que espero que ele se sinta responsável de algum modo, que se sinta tão arrependido que chegue a passar mal" (P. 84).
As pessoas não foram escolhidas a dedo, final, Leonard não tinha amigos. Eles eram os únicos que, por alguma razão, mantinham contato com ele. A medida que lemos os encontros, uma parte da vida do garoto é revelada, assim o leitor se situa mais e mais na cabeça do garoto a fim de compreender o porquê dele tomar a decisão. E, mesmo depois de ter lido, as razões são praticamente as mesmas de muitas outras pessoas que escolhem o mesmo caminho, tanto na literatura quanto na vida real: depressão. Nem sempre a doença é diagnosticada; pode se apresentar e desenvolver a partir de vários motivos.
“Não deixar o mundo destruí-lo. Essa é uma batalha diária” (p. 187).
É muito difícil estabelecer consideração finais sobre Leonard. Claramente, mesmo entendendo o personagem, NADA justificam suas escolhas, mas é impossível não sentir aflição e o desejo de se tornar amigo dele a fim de tentar ajudá-lo mostrando que o fim da linha não vai acabar com seu sofrimento.
Particularmente, a ideia é criativa, mas a leitura não é tão empolgante assim. Não tem muita "cabeça" por trás da história, nem lições que possam acrescentar. É aquela história: menino infeliz + presentes + matar + ser lembrado. O desfecho, assim também como o desenvolvimento do livro, não causa emoção. Quando terminei, fiquei sem saber o que pensar. Se valeu ou não valeu a pena lê-lo. Até agora, depois de alguns meses, eu ainda não sei. A impressão que ficou foi que o Leonard ainda está solto por aí, sem um ponto final.
-> Leia também (temática parecida):
Precisamos Falar Sobre o Kevin (Intrínseca);
Bela Maldade (Intrínseca);
Dia de Eutanásia (Landscape);
Por Lugares Incríveis (Seguinte - RESENHA);
Ruptura (Nova Fronteira - RESENHA);
A Playlist de Hayden (Novo Conceito - RESENHA);
Objetos Cortantes (Intrínseca - RESENHA).
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